País
"Ambiente pesado". Há alívio pelo regresso do Funicular da Graça e o adeus à escadaria
Está de regresso o funicular que liga a Mouraria e a Graça, em Lisboa. Foram quase oito meses parado, enquanto os outros elevadores da cidade ainda estão a ser avaliados. Moradores e trabalhadores recuperam alternativa à escadaria, que tem um "ambiente pesado".
O funicular ajudou António Lourenço, de saco na não, a encher o estômago. "Já subi e já cá estou em baixo, levo coisas para o pequeno-almoço", conta. Esperava com expectativa este regresso: a Rua dos Lagares, na Mouraria, volta a ser a porta de entrada para a subida à Graça, num percurso com quase 100 metros.
Maria Júlia Martins e António Lourenço foram dos primeiros passageiros do lado da Mouraria
Há um misto de reações pelo regresso deste transporte. Num café na Rua da Graça, muitos desconheciam a retoma. Alguns moradores dizem até que não chegaram a usar antes do fecho, mesmo vivendo próximos do equipamento.
A comerciante Patrícia Peralta notou que havia uma curiosidade inicial pela gratuitidade. Não chegou a usar, "mas gostava de ir". Mas não esconde: "Depois daquela tragédia, a pessoa ficou um bocadinho 'Vai ou não vai?'". O receio de alguns é o alívio de outros, porque significa que não vão a pé pelo Caracol da Graça. É uma escadaria com vários lances de degraus, rodeados por paredes de arte urbana e grafitis aleatórios. Sobressaem muitos olhares pintados, mas também um cheiro a urina e vários montes de lixo.
É no topo da escadaria que vive Ilda. A caminho de uma consulta médica, não se livra de subir uns quantos lances. "A mim, custa, já tenho 90 anos", diz.
Ainda assim, é para os turistas que se vira. O funicular "faz falta para os estrangeiros porque sobem aqui aos montes", frisa, entre o aumento do turismo e a falta deste transporte na colina.
Já Fábio Costa trabalha na freguesia de São Vicente, que inclui a zona da Graça. Durante quase oito meses a escadaria fez parte dos caminhos diários. "É um bocado difícil" subir as escadas, admite, porque "puxa pelas pernas" e há um "ambiente um bocado pesado".
"Toxicodependentes ali a injetarem-se nos recantos", aponta, chamando a atenção que passam crianças.
Elogiando a vista "espetacular" para Lisboa e para o Rio Tejo, António Marques só usou algumas vezes quando abriu. Mas reconhece que fez falta, sobretudo para quem mora do lado da Mouraria, por faltar comércio que há na Graça e por causa das escadas íngremes. Imagens do Caracol da Graça | Portugal em Direto, 30 de abril de 2026
O presidente da Carris afirma que o regresso do Funicular da Graça é a "reposição da normalidade". Foi o primeiro dos equipamentos a retomar, depois do descarrilamento no Elevador da Glória, a 3 de setembro de 2025, que provocou 16 mortes e mais de 20 feridos. O Funicular da Graça apresentava um sistema diferente e mais moderno dos restantes ascensores e elevadores.
Nessa altura, todos os equipamentos do género na cidade pararam. "Podia haver alguma lacuna, confirmou-se que não tinha", diz Rui Lopo sobre o funicular. A Comissão Técnica Independente ainda não se pronunciou sobre os ascensores da Bica e do Lavra, nem sobre os elevadores de Santa Justa e da Glória.
Quanto aos custos de manutenção das infraestruturas do modo elétrico, questionado, Rui Lopo não tinha em mente o valor do ano passado - o relatório e contas de 2025, apesar de aprovado, ainda não foi publicado. Em 2024, esse valor foi de 1.506.659 euros, número que subiu em relação ao ano anterior após duas descidas seguidas desde 2021.
No horizonte está o alargamento do horário deste funicular, afirma a Carris. Agora está aberto das 9 horas às 17 horas e será mudado "se houver gente para transportar", diz Rui Lopo.
O espaço envolvente ao equipamento vai ter obras de "intervenção paisagística" e "espaços sociais", anunciou na quarta-feira a Carris em comunicado.
"Até aqui era de graça, agora temos de pagar", lamenta a vizinha Maria Júlia Martins. O início do Funicular da Graça, em março de 2024, trazia este benefício que já acabou.
Sem passe Navegante, resta pagar 4,30 euros pelas duas viagens de ida e regresso. "Vão roubar para a terra deles", atira, insatisfeita pelo fim da gratuitidade. Lá acaba por entrar, numa fila que ainda não funciona em pleno. É que a Carris pretende dar prioridade aos passageiros frequentes, ou seja, com passe Navegante, isto num zona muito procurada por turistas. Mas na manhã de regresso, ainda com passageiros a conta-gotas, misturam-se as duas filas.
Há um misto de reações pelo regresso deste transporte. Num café na Rua da Graça, muitos desconheciam a retoma. Alguns moradores dizem até que não chegaram a usar antes do fecho, mesmo vivendo próximos do equipamento.
A comerciante Patrícia Peralta notou que havia uma curiosidade inicial pela gratuitidade. Não chegou a usar, "mas gostava de ir". Mas não esconde: "Depois daquela tragédia, a pessoa ficou um bocadinho 'Vai ou não vai?'". O receio de alguns é o alívio de outros, porque significa que não vão a pé pelo Caracol da Graça. É uma escadaria com vários lances de degraus, rodeados por paredes de arte urbana e grafitis aleatórios. Sobressaem muitos olhares pintados, mas também um cheiro a urina e vários montes de lixo.
É no topo da escadaria que vive Ilda. A caminho de uma consulta médica, não se livra de subir uns quantos lances. "A mim, custa, já tenho 90 anos", diz.
Ainda assim, é para os turistas que se vira. O funicular "faz falta para os estrangeiros porque sobem aqui aos montes", frisa, entre o aumento do turismo e a falta deste transporte na colina.
Já Fábio Costa trabalha na freguesia de São Vicente, que inclui a zona da Graça. Durante quase oito meses a escadaria fez parte dos caminhos diários. "É um bocado difícil" subir as escadas, admite, porque "puxa pelas pernas" e há um "ambiente um bocado pesado".
"Toxicodependentes ali a injetarem-se nos recantos", aponta, chamando a atenção que passam crianças.
Elogiando a vista "espetacular" para Lisboa e para o Rio Tejo, António Marques só usou algumas vezes quando abriu. Mas reconhece que fez falta, sobretudo para quem mora do lado da Mouraria, por faltar comércio que há na Graça e por causa das escadas íngremes. Imagens do Caracol da Graça | Portugal em Direto, 30 de abril de 2026
Elevador da Glória? "Ainda não há data, não temos de nos precipitar"
O presidente da Carris afirma que o regresso do Funicular da Graça é a "reposição da normalidade". Foi o primeiro dos equipamentos a retomar, depois do descarrilamento no Elevador da Glória, a 3 de setembro de 2025, que provocou 16 mortes e mais de 20 feridos. O Funicular da Graça apresentava um sistema diferente e mais moderno dos restantes ascensores e elevadores.
Nessa altura, todos os equipamentos do género na cidade pararam. "Podia haver alguma lacuna, confirmou-se que não tinha", diz Rui Lopo sobre o funicular. A Comissão Técnica Independente ainda não se pronunciou sobre os ascensores da Bica e do Lavra, nem sobre os elevadores de Santa Justa e da Glória.
"Estão a avaliar do ponto de vista técnico as condições, que têm de ser revistas", afirma, pelo que "para já ainda não há data" para qualquer outra reabertura. "Não temos que nos precipitar, e a segurança é uma prioridade para a Carris", acrescenta.
Quanto aos custos de manutenção das infraestruturas do modo elétrico, questionado, Rui Lopo não tinha em mente o valor do ano passado - o relatório e contas de 2025, apesar de aprovado, ainda não foi publicado. Em 2024, esse valor foi de 1.506.659 euros, número que subiu em relação ao ano anterior após duas descidas seguidas desde 2021.
No horizonte está o alargamento do horário deste funicular, afirma a Carris. Agora está aberto das 9 horas às 17 horas e será mudado "se houver gente para transportar", diz Rui Lopo.
O espaço envolvente ao equipamento vai ter obras de "intervenção paisagística" e "espaços sociais", anunciou na quarta-feira a Carris em comunicado.